quarta-feira, 15 de julho de 2026



Geladeira, televisão, celular e notebook estão entre os equipamentos que mais apresentam falhas; manutenção preventiva e uso adequado podem prolongar a durabilidade dos aparelhos

Com a alta dos preços dos eletrodomésticos e eletrônicos, uma dúvida tem se tornado cada vez mais comum entre os consumidores: quando vale a pena consertar um equipamento e quando a melhor decisão é substituí-lo por um novo? A resposta depende de uma série de fatores, como idade do produto, custo do reparo, eficiência energética e disponibilidade de peças.

Segundo os professores Jorge Aldir Aranha, do curso de Engenharia Elétrica da Estácio, e Thiago Gabriel, professor de Engenharia da Computação da instituição, a decisão deve considerar não apenas o valor do conserto, mas também a expectativa de vida útil do equipamento e seu desempenho ao longo do tempo.

"Em muitos casos, o reparo é economicamente viável. No entanto, quando o defeito é recorrente ou afeta componentes essenciais, como o compressor da geladeira ou a placa principal de uma televisão, a substituição pode representar um investimento mais inteligente e seguro para o consumidor", explica Jorge Aldir.

De acordo com os especialistas, um dos critérios mais utilizados é comparar o custo do reparo com o valor de um equipamento novo. Quando o conserto ultrapassa, em média, um terço do preço de um produto equivalente e o aparelho já consumiu mais da metade de sua vida útil estimada, a troca tende a ser a alternativa mais recomendada.

Vida útil varia conforme o equipamento

A durabilidade dos eletrodomésticos e eletrônicos pode variar significativamente conforme a qualidade da fabricação, a frequência de uso, as condições ambientais e os cuidados adotados pelo usuário.

Entre os equipamentos com maior expectativa de vida estão as geladeiras, que podem durar entre 10 e 16 anos, e os aparelhos de ar-condicionado, cuja vida útil média varia de 10 a 15 anos. Máquinas de lavar também apresentam boa

longevidade, funcionando entre 10 e 15 anos quando submetidas à manutenção adequada.

Já dispositivos eletrônicos como celulares, notebooks e air fryers possuem ciclos de vida mais curtos, normalmente entre dois e cinco anos.

Os problemas mais recorrentes observados em assistências técnicas incluem:

· Falhas no compressor e vazamentos de gás em geladeiras;

· Problemas de centrifugação e rolamentos desgastados em máquinas de lavar;

· Magnetron queimado em micro-ondas;

· Entupimento de bicos e falhas de ignição em fogões;

· Defeitos em fontes e placas principais de televisores;

· Vazamentos e perda de capacidade de refrigeração em aparelhos de ar-condicionado;

· Resistências queimadas em panelas elétricas e air fryers;

· Baterias inchadas e telas quebradas em celulares;

· Superaquecimento e lentidão em notebooks.

Troca com desconto pode ser vantajosa

Outra alternativa que tem ganhado espaço no mercado é a troca do equipamento antigo por descontos na compra de um modelo novo.

Segundo Thiago Gabriel, essa modalidade pode ser interessante principalmente quando o aparelho antigo apresenta baixa eficiência energética ou quando o custo de manutenção se torna frequente.

"Além do benefício financeiro imediato, os equipamentos mais modernos costumam consumir menos energia e oferecer recursos tecnológicos mais avançados, o que pode compensar o investimento no médio prazo", afirma.

Antes de aderir a esse tipo de programa, os especialistas recomendam comparar os valores praticados pelo mercado de usados e verificar se o desconto oferecido realmente corresponde ao valor residual do equipamento.

Garantias têm limitações

Embora muitos consumidores associem a garantia de fábrica à cobertura integral de qualquer problema, a proteção geralmente contempla apenas defeitos de fabricação identificados dentro do prazo estipulado pelo fabricante.

Normalmente, não estão cobertos danos decorrentes de quedas, mau uso, instalação inadequada, surtos elétricos, infiltrações ou intervenções realizadas por assistências não autorizadas.

Por isso, é fundamental guardar notas fiscais, certificados de garantia e seguir as orientações previstas nos manuais dos fabricantes.

Como aumentar a vida útil dos aparelhos

Pequenas ações de manutenção preventiva podem fazer grande diferença na durabilidade dos equipamentos.

Entre as principais recomendações estão:

· Comprar produtos de fabricantes reconhecidos e com certificações de qualidade;

· Ler e seguir as orientações do manual do usuário;

· Realizar a instalação correta dos equipamentos;

· Evitar sobrecarga de uso;

· Fazer limpezas periódicas;

· Executar manutenções preventivas quando recomendadas;

· Garantir ventilação adequada para aparelhos eletrônicos;

· Utilizar equipamentos de proteção elétrica.

"Boa parte dos problemas poderia ser evitada com cuidados simples. A manutenção preventiva costuma ser muito mais barata do que o reparo corretivo e ajuda a preservar o desempenho dos equipamentos por mais tempo", destaca Jorge Aldir.

Picos de energia estão entre os maiores inimigos dos eletrônicos

As oscilações na rede elétrica continuam sendo uma das principais causas de danos em aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos.

Para minimizar os riscos, os especialistas recomendam o uso de dispositivos de proteção contra surtos (DPS), filtros de linha certificados e sistemas de aterramento adequados. Em regiões sujeitas a tempestades frequentes, desligar equipamentos mais sensíveis durante descargas atmosféricas também pode evitar prejuízos.

"Uma única oscilação elétrica pode comprometer componentes eletrônicos de alto valor, como placas-mãe, fontes e circuitos de controle. Investir em proteção elétrica é uma medida simples que pode evitar gastos significativos", conclui Thiago Gabriel.